O autocuidado é essencial para garantir a qualidade do cuidado. Eis algumas sugestões que poderá adaptar ao seu contexto, de acordo com a situação vivida.
Informar-se
Procure informação sobre a demência e as suas manifestações. Compreender os sintomas ajuda a lidar melhor com as situações do dia-a-dia e a prestar um apoio mais adequado.
Viver um dia de cada vez
Planeie o futuro mas evite antecipar excessivamente o que poderá acontecer. Lidar com as situações à medida que surgem reduz a sobrecarga emocional.
Reconhecer e aceitar os seus sentimentos
É normal sentir frustração, culpa ou tristeza. Aprender a reconhecer e aceitar estes sentimentos ajuda a lidar melhor com o papel de cuidador.
Reservar tempo para descansar
Cuidar também implica cuidar de si. Momentos de descanso não são egoísmo, são essenciais para manter o equilíbrio e a capacidade de cuidar.
Cuidar da sua saúde
Mantenha um acompanhamento médico regular, cuide das doenças crónicas e procure ter uma alimentação equilibrada. O seu bem-estar é fundamental.
Manter as relações sociais
O contacto com familiares e amigos é protetor e ajuda a preservar a identidade e o seu bem-estar. Sempre que possível, mantenha momentos de partilha, presencialmente ou à distância.
Usar o humor de forma positiva
Quando possível, encare as situações com leveza. Rir da situação, nunca da pessoa cuidada, pode ajudar a reduzir a tensão e manter uma atitude mais positiva.
Procurar apoio na comunidade
Informe-se sobre os recursos disponíveis, como centros de saúde, serviços de apoio domiciliário, centros de apoio diurno e serviços sociais, que podem ser uma ajuda fundamental.
Ser realista
Reconheça os seus limites enquanto cuidador e ajuste as suas expectativas face à evolução da doença. Não é possível fazer tudo sozinho.
Pedir e aceitar ajuda
Alguns cuidadores encaram o cuidado a um familiar como uma responsabilidade pessoal; no entanto, partilhar tarefas é essencial. Pedir ajuda atempadamente pode evitar situações de exaustão.
Valorizar o seu esforço
Reconheça o trabalho e a dedicação que tem investido. O papel do cuidador é exigente e merece ser valorizado.
Expressar as suas emoções
Falar, chorar ou partilhar sentimentos podem trazer alívio emocional e ajudar a libertar a tensão acumulada.
Aprender a dizer “não”
Priorize o que é essencial e não hesite em recusar pedidos que ultrapassem as suas capacidades ou que não sejam urgentes.
Quando estas estratégias deixam de ser suficientes, é importante estar atento aos sinais de sobrecarga do cuidador. Estes podem manifestar-se através de sinais físicos, como cansaço persistente, falta de apetite, alterações do sono, dores musculares, palpitações ou desleixo com a aparência pessoal; sinais psicológicos ou emocionais, como tristeza, sentimentos de culpa, diminuição da autoestima, alterações de humor, ansiedade, irritabilidade, dificuldades de concentração ou lapsos de memória; e sinais sociais, como o afastamento de familiares e amigos, perda de interesse por atividades anteriormente prazenteiras e sentimentos de solidão ou isolamento.
Estudos recentes destacam que, apesar das dificuldades, o ato de cuidar pode também ser fonte de satisfação pessoal, pela possibilidade de preservar a dignidade da pessoa cuidada, vê-la bem cuidada e feliz, ter consciência de estar a fazer o melhor possível ou encarar o cuidado como uma oportunidade de reforço dos laços afetivos. Para alguns cuidadores, a prestação de cuidados representa ainda uma forma de manter a pessoa em casa, evitar a institucionalização ou promover o desenvolvimento de novas competências, crescimento e enriquecimento pessoal.