Podem ocorrer nas pessoas com demência comportamentos como agitação, irritabilidade, resistência aos cuidados ou agressividade. Habitualmente estes comportamentos têm causas subjacentes como dores, desorientação, necessidades básicas não satisfeitas, alterações da rotina, excesso de estímulos ou incapacidade para perceber o ambiente circundante. As infeções urinárias e respiratórias ou as alterações metabólicas podem também agravar subitamente a confusão e a agitação.
Identificar a causa – Antes de considerar o uso de medicação, avalie possíveis fatores desencadeantes, identificando padrões de horário ou contexto.
Saber como comunicar – Ouça atentamente o que a pessoa expressa, e procure compreender a realidade que está a viver, para tentar perceber as emoções subjacentes. Valide as vivências com frases simples como “Percebo que esteja aborrecido”, o que pode amenizar a situação e evitar a escalada do conflito.
Redirecionar e prevenir – Distraia a atenção, canalizando-a para atividades simples e com significado, ligadas à história de vida, como dobrar roupa, descascar legumes ou organizar objetos. Mesmo que as tarefas não sejam realizadas com perfeição, permitem um sentido de propósito e de participação.
Protejer a sua segurança – A segurança de quem cuida é prioritária. Em momentos de maior agitação é importante manter alguma distância, evitar virar as costas e garantir uma via de saída. Também se deverá remover do alcance objetos potencialmente perigosos.
Ansiedade, agitação e comportamento repetitivo
Rotinas previsíveis, a exposição à luz matinal, a atividade física leve e o apoio de ajudas visuais podem ajudar a amenizar a desorientação e a inquietude.
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Alterações de perceção e julgamento da realidade
É importante transmitir segurança, valorizando as emoções e evitando discutir ou contrariar perceções incorretas.
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Apatia
Rotinas e atividades simples ajudam a estimular a participação. Valorizar os pequenos progressos reforça a autoestima e a motivação.
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Como apoiar
Ansiedade, agitação e comportamento repetitivo
A pessoa pode manifestar uma inquietação constante, manipulação repetitiva de objetos ou deambulação prolongada. Estes comportamentos poderão ser tentativas de amenizar a ansiedade, criando segurança e previsibilidade.
Compreender o significado
A inquietude pode estar relacionada com perdas de memória, desorientação ou com a dificuldade de expressar necessidades. A pessoa pode ter dificuldade em reconhecer a própria casa ou desejar retomar antigas rotinas e papéis sociais, como sair de casa para ir trabalhar. Estes comportamentos tendem a intensificar-se ao final do dia, fenómeno conhecido como síndrome do entardecer, associado a alterações do ritmo sono–vigília.
Ajustar o ambiente
A exposição à luz durante o dia, aliada à prática de atividade física leve, preferencialmente matinal, contribui para a regulação do ritmo circadiano, o relógio biológico responsável por regular o funcionamento de diversas funções do organismo, nomeadamente o sono.
Ao final do dia, é importante promover um ambiente tranquilo, reduzindo a exposição a ruídos e luzes intensas. São também de evitar a cafeína ou o açúcar.
Responder à repetição
As perguntas ou ações repetidas resultam frequentemente da incapacidade de recordar a informação recente e podem refletir uma preocupação subjacente ou a necessidade de tranquilização. Nestes momentos, responda com calma, paciência e consistência, pois demonstrar a frustração tende a piorar a situação.
Procurar apoios de orientação
Relógios de fácil leitura, calendários visíveis, quadros com a rotina diária ou fotografias identificadas ajudam a pessoa a orientar-se no tempo e no espaço e, embora não eliminem o comportamento, podem ajudar a reduzir a ansiedade associada.
Como apoiar
Alterações de perceção e julgamento da realidade
Algumas pessoas com demência podem apresentar alterações da perceção ou crenças persistentes que influenciam a forma como interpretam o mundo à sua volta. Estas experiências, apesar de não corresponderem à realidade observável, são reais para quem as vivencia e podem gerar medo, ansiedade e comportamentos defensivos.
Diferenciar e avaliar causas
As alucinações correspondem a perceções sensoriais sem estímulo real, podendo ser visuais (ver pessoas), auditivas (ouvir vozes), olfativas, tácteis ou gustativas. As ilusões são distorções de estímulos existentes. Por sua vez, os delírios são crenças persistentes que não cedem a explicações lógicas, sendo frequentes as ideias de roubo, perseguição, ciúme ou abandono.
Valorizar as emoções
Discutir ou tentar provar as perceções ou crenças incorretas e desmentir sistematicamente aquilo em que a pessoa acredita, tende a aumentar a ansiedade e a desconfiança. Esta ação gera frustração e desencoraja a pessoa de partilhar novamente os seus sentimentos. Reconheça a emoção e transmita segurança física e emocional, expressando empatia pelo que está a vivenciar.
Ajustar o ambiente
Ambientes bem iluminados diminuem as interpretações incorretas. Sombras e penumbras, espelhos, a televisão ligada ou objetos decorativos podem ser confundidos com pessoas ou movimentos. Garanta também o uso adequado de óculos e aparelhos auditivos.
Reconhecer quando procurar ajuda
Se os sintomas surgirem de forma súbita, provocarem sofrimento significativo ou implicarem risco, procure uma avaliação médica para identificar possíveis causas reversíveis e, se necessário, ajustar o tratamento.
A apatia caracteriza-se pela diminuição de interesse, iniciativa e expressão emocional. Pode surgir a perda de interesse por atividades previamente apreciadas, assim como na tomada de decisões. Este comportamento é uma manifestação das alterações cerebrais que afetam os circuitos da motivação e do processamento de recompensas. Ao contrário da depressão, a apatia não implica necessariamente tristeza, mas sim indiferença, menor envolvimento emocional e consequente alheamento do meio.
Estruturar o dia
As rotinas previsíveis e os ambientes estimulantes com propostas de atividades significativas ajudam a reduzir a inatividade e a apatia.
Propor atividades concretas
Em vez de perguntar o que a pessoa deseja fazer, sugira tarefas simples e específicas, com objetivos claros e duração curta.
Valorizar pequenos progressos
Reconhecer cada esforço reforça a autoestima e o sentimento de utilidade. Assim, mesmo que pareça indiferente, a pessoa beneficia de atenção e de estímulo afetivo.