Pesquisar

Encontre informação, serviços e notícias da alza.

Escreva pelo menos 2 caracteres para pesquisar.

Por onde começar

    Fatores de risco

    Têm vindo a ser identificados fatores de risco para o desenvolvimento de demência que podem ser classificados como não modificáveis e modificáveis, atuando tanto a nível individual como no contexto da comunidade e da sociedade.

    Fatores de risco não modificáveis

    Correspondem a características que não podem ser alteradas, como a idade, fatores genéticos e o sexo feminino. Estes fatores ajudam a identificar pessoas com maior risco.

    Idade

    O envelhecimento, nomeadamente o envelhecimento cerebral, é o principal fator de risco para o desenvolvimento de demência. A esperança média de vida, que hoje em dia aumentou cerca de 15 anos em relação a 1960, é um importante fator para o crescimento do número de casos.

    A prevalência de demência duplica a cada 5 anos a partir dos 60 anos de idade, estimando-se que cerca de 30% das pessoas com 85 anos tenham algum tipo de demência.

    Fatores genéticos

    Existem fatores genéticos que podem aumentar o risco de demência. Estes são particularmente relevantes nas formas de início precoce da doença de Alzheimer, quando esta se manifesta antes dos 65 anos. A componente genética também desempenha um papel importante nas pessoas com trissomia 21.

    Sexo feminino

    A demência é mais frequente no sexo feminino, o que poderá estar associado à maior longevidade, diferenças históricas na escolaridade e percurso profissional, questões hormonais e uma maior frequência de stress e depressão ao longo da vida adulta.

    Fatores de risco modificáveis

    Estudos recentes sugerem que a intervenção em determinados fatores através da adoção de estilo de vida saudável e de medidas de prevenção pode reduzir ou atrasar o desenvolvimento de demência. Estes fatores incluem aspetos ligados ao estilo de vida, à saúde física e mental e ao contexto psicossocial.

    Nos países desenvolvidos, tem-se observado uma tendência para o adiamento do início da demência para idades mais avançadas, o que pode estar ligado a um melhor controlo dos fatores de risco cardiovascular, à redução do tabagismo, ao aumento da escolaridade e à melhoria global dos estilos de vida.

    A Comissão Lancet sobre Prevenção, Intervenção e Cuidados na Demência identificou 14 fatores de risco potencialmente modificáveis, distribuídos ao longo do ciclo de vida, distinguindo-os como fatores de risco presentes do início de vida, meia-idade e idade avançada. Estima-se que até 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados através da intervenção sobre estes fatores.

    1. Baixo nível de escolaridade

    A educação contribui para o desenvolvimento da reserva cognitiva, entendida como uma reserva cerebral que permite compensar danos ou alterações ligadas ao envelhecimento. Por este motivo, um baixo nível de escolaridade está associado a um maior risco de desenvolver demência.

    As políticas que promovem o acesso universal à educação constituem uma estratégia importante para a redução do risco de demência a longo prazo. Para além disso, manter o cérebro ativo através de atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida pode ajudar à manutenção da função cognitiva.

    2. Perda auditiva

    É importante promover a redução da exposição ao ruído excessivo, no trabalho ou noutros ambientes. Quando a perda auditiva já está instalada, o uso de aparelhos auditivos tem sido associado a benefícios na proteção da cognição.

    3. Depressão

    Há um risco aumentado de demência para quem desenvolve depressão em qualquer idade. Quando a depressão ocorre na idade mais avançada, pode, em alguns casos, constituir uma manifestação precoce de uma doença neurodegenerativa. É importante tratar a depressão de forma eficaz quer por psicoterapia, farmacoterapia ou pela combinação de ambas. 

    4. Traumatismo craniano

    Para prevenir lesões cerebrais traumáticas é imprescindível o uso de proteções adequadas, em trabalhos que exijam medidas de segurança ou em atividades de mobilidade e lazer, por exemplo em estaleiros de obras, no uso de bicicletas e trotinetes e na prática de desportos de contacto.

    5. Tabagismo

    Os estudos têm sugerido uma associação positiva entre deixar de fumar e a redução do risco.

    6. Inatividade física

    A atividade física está relacionada com um melhor funcionamento cerebral, em parte porque melhora o fluxo sanguíneo cerebral. Durante a prática de exercício físico são libertadas substâncias que contribuem para a proteção e o funcionamento do cérebro.

    7. Hipertensão arterial

    O controlo da hipertensão arterial, a partir da meia-idade tem sido associado à redução do risco.

    8. Colesterol

    O colesterol LDL elevado na meia-idade pode ser um fator de risco.

    9. Obesidade

    A diminuição de peso, mesmo modesta, tem sido associada à redução do risco, particularmente se ligada à adoção de hábitos saudáveis como alterações na alimentação e prática de exercício físico.

    10. Diabetes

    Tem-se verificado uma associação positiva do controlo adequado da diabetes na redução do risco de desenvolvimento de demência.

    11. Consumo excessivo de álcool

    O consumo excessivo de álcool tem sido associado à redução de volume da massa cinzenta cerebral. A redução do consumo excessivo contribui para preservar a saúde cerebral.

    12. Perda de visão

    O tratamento adequado de cataratas e outros problemas oculares pode trazer benefícios para a redução do risco.

    13. Isolamento social

    O contacto social liga-se a um aumento da reserva cognitiva, à promoção de comportamentos saudáveis e à redução de stress e inflamação.

    14. Poluição do ar

    Tem sido cada vez mais estudado o impacto da exposição prolongada a partículas presentes no ar, tanto no exterior como no ambiente doméstico, por exemplo na queima de madeira nas residências.

    De acordo com esta Comissão, outros fatores possivelmente associados ao risco de demência, mas ainda sem evidência científica consistente relacionam-se com o sono, dieta alimentar, infeções e inflamação sistémica, doenças dentárias, perturbação bipolar, perturbações psicóticas, perturbações de ansiedade e fatores ligados à menopausa.

    Estes dados reforçam a importância da mudança de hábitos individuais e da implementação de políticas públicas orientadas para a promoção da saúde cerebral e a redução dos fatores de risco na população.

    Referências bibliográficas

    Principalmente referentes às páginas Demências I Fatores de risco I Prevenção I

    Alzheimer’s Research & Prevention Foundation (2026, July 13). 4 Pillars of Prevention. Retrieved July, 13, 2026 from https://alzheimersprevention.org/4-pillars-of prevention/a

    Livingston, G., Huntley, J., Liu, K. Y., Costafreda, S. G., Selbæk, G., Alladi, S., Ames, D., Banerjee, S., Burns, A., Brayne, C., Fox, N. C., Ferri, C. P., Gitlin, L. N., Howard, R., Kales, H. C., Kivimäki, M., Larson, E. B., Nakasujja, N., Rockwood, K., Samus, Q., Shirai, K., Singh-Manoux, A., Schneider, L. S., Walsh, S., Yao, Y., Sommerlad, A., & Mukadam, N. (2024). Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet Standing Commission. The Lancet, 404(10452), 572–628. https://doi.org/10.1016/S0140-6736(24)01296-0a

    Rosenberg, A., Mangialasche, F., Ngandu, T., Solomon, A., & Kivipelto, M. (2020). Multidomain interventions to prevent cognitive impairment, Alzheimer’s disease, and dementia: From FINGER to World-Wide FINGERS. The Journal of Prevention of Alzheimer’s Disease, 7(1), 29–36. https://doi.org/10.14283/jpad.2019.41a

    World Health Organization. (2026). Risk reduction of cognitive decline and dementia: WHO guidelines (2nd ed.), Retreived July 16, 2026 from https://www.who.int/publications/i/item/9789240123557